Perder Também É Ganhar

GANHAR

Em 2008 minha vó partiu deixando uma dor gigante no meu peito. A minha vó tinha revelado o significado verdadeiro dessa relação. Não tínhamos laços de sangue. Quanto amor me deu. Temos segredos guardados até hoje, nossos apenas. Eram as deliciosas trocas. Nunca poupamos declaração de amor. Quando veio a notícia não estava perto. Minhas lagrimas molhavam minhas lembranças.

Depois? O alívio de saber o quanto nos curtimos, o quanto nos amamos e o quanto tivemos disposição para cumprir os papéis confiados a nós nessa existência.

Ali perder também foi ganhar.

As mudanças repentinas da vida, aquelas que parecem gincana, trouxeram a experiência de ver ir embora os recursos reunidos por um período longo de trabalho, ao ter de, forçosamente, desistir da compra de um imóvel. Foi embora o dinheiro. Instalaram-se mil questionamentos que ecoavam no vazio que tomou conta de mim. Como seguir se o que eu tinha acabou? Não existe mais.

Segui sim, o espaço do dinheiro foi invadido por uma garra na busca de novos recursos. Uma força que não me entregava outra opção a não ser ir pra frente.

Ali perder também foi ganhar…

Na última troca de cidade uma ligação me causou surpresa: “Anete o caminhão que vinham suas coisas virou, o motorista morreu e não tenho previsão de pagar o prejuízo”. Até hoje nunca pago.

Bem, mas e as minhas coisas? E os papéis guardados? E a única bolsa que tinha significado pra mim, aquela do Seu Espedito. E o resto? Cadê tudo?

Não tem mais.

Mas a vida tinha chegado até ali sem aquelas coisas? O que de fato era importante mesmo? O que tinha feito falta? Não sei. Talvez chegará naquela hora a certeza – que já ecoava – que preciso de muito menos do que os padrões sempre querem impor, tentando me escravizar na busca de ter.

Abriu uma clareira gigante. Muito de tudo estava explicado.

Ali perder também foi ganhar.

Não é diferente quando um amor vai embora, quando uma amizade é interrompida, quando as rodas de amigos se dissipam.

Quantas pessoas já chegaram com uma intenção e ficaram para ensinar outras coisas que eu precisava aprender.

Pessoas que chegam e vão são muitas vezes a oportunidade que precisava pra fazer os devidos resets.

Quantos vazios deixados pelas partidas já não entregaram de bandeja explicações que levariam anos para chegar à superfície?

Todos os dias, de alguma maneira, a vida me ensina: Perder também é ganhar.

Aceito, retribuo, agradeço.


Anete Pitão
Coach e Mentora – Criadora do Studio Jovem
Idealizadora do Programa Geração de Impacto
Delete sua versão OK. Desperte sua versão UAU.

Postado em 26 de janeiro de 2017 Categoria Mentoria

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