Tem Uma Luz Forte Na Nossa Direção

luz

Deixei o celular no chão, bem do lado da cama, esperava uma ligação. A mais terrível de todas que tive até hoje. Minha irmã ficou no quarto com minha mãe, acredito (como faz até hoje) num gesto de proteção.

Como se fosse hoje, abri os olhos às 6 da manhã. Um alívio profundo tomou conta de mim: Não ligaram! Ufa. Toca o celular, imediatamente. Na linha uma moça disse: “Um responsável pelo paciente Pedro Monteiro da Costa queira comparecer na Unimed”. Ouvi aflitivamente. Minha irmã já apareceu no quarto e sem muitas palavras nos olhamos. Meu pai tinha partido no dia 1o de Janeiro de 2004. Uma dor profunda. Meu popinho. As marcas do Alzaimer tinham levado muito da sua memória. Mas esse não foi o motivo da morte. Foi insuportável vê-lo sofrer.

Há 2 meses estive com duas grandes amigas da faculdade, na nossa comemoração de 20 anos de amizade construída na UFPA. Ambas relataram as dores de ver a mãe doente. Cada uma por uma razão diferente. Eu sabia exatamente a medida daquela angústia. Logo depois de algumas semanas a mãe de uma delas partiu. Dor. Muita dor. Na semana seguinte a mãe da outra amiga também. Uma saudade que não passa. A vida tem essa tradição de nos ensinar amargamente com a perda.

A gente precisa seguir. A vida continua. Mas como? Não consigo conscientemente dizer como cheguei até aqui sem meu pai. E como só após sua partida percebi o valor dos Nãos que recebi. Ele tinha uma mania. Eu pedia algo e ele dizia Não. Quando chegava trazia embrulhado meu pedido. Estratégia de amor do Pedrão.

Esses dias uma pessoa que conheci recentemente – a quem aprendi a gostar pelos textos, por um vídeo maluco e pelo

E amor que tem pela namorada, amarga a partida do pai. Disse a ele que “parte de mim que enterrou meu pai acolhe a tua parte que enterrou o teu. E a outra parte que ressignifica tudo a cada ano te acolhe imensamente”.

Vai chegando o ano novo e a morte se aproxima! É assim todo ano, desde 2004.

Não sabemos quando vai acabar pra começar a nova jornada do lado de lá.

Eu só sei que dia a dia, a cada hora o tempo vai exigindo que nós tornemos a vida mais leve, mais bacana de ser vivida.

Mudei minha vida inteira pra tá perto da minha mãe. E hoje vejo o quanto isso não tem preço, por mais bagunça que traga pro cotidiano.

Vou terminando o ano celebrando uma graça alcançada pela misericórdia da Virgem de Nazaré. O ano que chega já vem com compromisso de honrar a Graça.

Por Gercileia Medeiros, por Luciana Cavalcante, por Anderson Jor a única certeza meus amigos é que tudo continua. E as luzes que apagaram aos poucos surgem de novo e dessa vez mais forte, cada um deles ajuda a iluminar lá do céu. Disso eu tenho certeza.

1o de Janeiro de 2017 a data da minha renovação da esperança. Ame! Ame muito.

Sim, tenho motivo né Pedrão!

Feliz Ano Novo amigos.
🙏🏽


Anete Pitão
Coach e Mentora – Criadora do Studio Jovem
Idealizadora do Programa Geração de Impacto
Delete sua versão OK. Desperte sua versão UAU.

Postado em 2 de janeiro de 2017 Categoria Mentoria

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